Coisa de um ano atrás, moradores do povoado de Barra de Carvalho, em Nilo Peçanha (Baixo Sul), viram o helicóptero pousar, bem pertinho, junto à praia, algo inédito no lugar. Só depois ficaram sabendo: os visitantes eram ninguém menos que o rei Carlos e a rainha Sílvia, da Suécia. Motivo da visita: as terras que circundam o bucólico lugar, defronte à ponta sul da Ilha de Tinharé (Cairu), são deles. Foram compradas por R$ 15 milhões, atravessando a multi norte-americana El Paso, que negociava a compra pó R$ 13 milhões. No litoral norte, mais precisamente em Baixios (Esplanada), o Grupo Arc, ou Grupace, espanhol, comprou área que dá 14 quilômetros de praia. Um pouco mais para cima, em Jandaíra, o Invisa, também espanhol, levou 4,5 quilômetros. Mais perto de Salvador, na valorizada Guarajuba (Camaçari), o Meliá pegou dois quilômetros. Sem contar os brasileiros, como Daniel Dantas, que resolveram comprar paraísos litorâneos baianos.
Nada de xenofobia ou coisa que o valha. A questão é: pra que compram? O que pretendem? Domingos Leoneli, o secretário de Turismo da Bahia, diz esperar que seja a implantação de equipamentos de turismo, como hotéis e afins. Se for; “tapete vermelho pra eles”. Se não (loteamentos ou a simples especulação), azar nosso.
Fonte: Tempo Presente (Levi Vasconcelos) - Jornal A Tarde de 24.03.2008 (segunda-feira)
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