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Um curioso fenômeno começa a ganhar vulto no “movimento” imobiliário da velha cidade da Bahia, sugerindo mesmo a ocorrência de um processo, digamos, “cíclico” nesse mercado em inquieta busca por opções. Bairros antigos da capital, que há muito não eram assediados por empreendimentos relevantes, estão se tornando alvo de construtores e incorporadores. O especialista José Azevedo Filho, sócio-diretor da Ello 3 Consultoria Imobiliária, do alto de seus 25 anos de experiência, vive na pele um bom exemplo dessas novas estratégias do setor.
“O Cabula, durante muitos anos, ficou esquecido pela exploração imobiliária. Agora, os holofotes do mercado voltam a mirar para lá. E isso se deu graças a uma grande construtora de fora da Bahia, a sergipana Norcon, que anteviu o potencial da tradicional localidade – e lançou, agora, um projeto residencial com ótimo padrão de qualidade. Fomos contratados para a comercialização do empreendimento. Resultado: vendemos as cem unidades do edifício em 48 horas. Abrimos mais cem unidades e já vendemos todas em cinco dias”, assegura Azevedo Filho.
Na interpretação do especialista, esse é um fenômeno próprio das restrições territoriais e da realidade mercadológica de uma metrópole como Salvador. Pressionado pela escassez de espaço para uma expansão horizontal e pela crescente demanda reprimida por moradia, o mercado “revisita” velhos logradouros, dando-lhe nova “roupagem” nos projetos imobiliários, residenciais e, a reboque, comerciais. “Áreas valorizadas, mas já saturadas, perdem algum valor, enquanto bairros pouco procurados pelas classes médias ressurgem valorizados. Além do Cabula, isso está começando a acontecer também no IAPI, Bonfim, Ribeira e certas locais da orla”, conta.
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