Agentes apreendem ‘crack’, facas e celulares na 1ª DP

26/04/2008

Correio da Bahia - Bruno Wendel

Na vistoria para evitar fugas e rebeliões, materiais são encontrados em vasos sanitários e trouxas de roupa dos detentos

Trinta “balinhas” de crack, quatro facas improvisadas, seis cachimbos artesanais e dois celulares. Este foi o saldo da revista realizada ontem pela manhã ao xadrez da 1ª Delegacia, no Complexo Policial dos Barris. A unidade mantém cem custodiados, em vez dos 35 para os quais foi projetada. A inspeção teve como objetivo evitar possíveis fugas e rebeliões como a de 10 de dezembro do ano passado, em que 90 detentos da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes, situada também no complexo, se amotinaram e fizerem reféns oito colegas de celas, além de destruírem todas as instalações. A ação foi um protesto contra as condições subumanas da unidade.
Iniciada por volta das 9h, a revista contou com um efetivo 30 de policiais. Além dos agentes do Serviço der Investigação da 1ªDP, participaram policiais do Comando de Operações Especiais da Polícia Civil (COE).
 
Durante a ação, não houve confronto. Os presos de cada uma das 12 celas foram conduzidos ao pátio do banho de sol por um grupo do COE, enquanto os demais agentes e os investigadores revistavam as celas. Alguns materiais apreendidos foram encontrados em vasos sanitários e em trouxas de roupas. Mesmo questionando os detentos, os policiais não descobriram a procedência e nem identificaram os donos dos objetos recolhidos. Pouco depois das 15h, todos as celas já tinham sido vistoriadas. O material recolhido foi encaminhado ao depósito do Departamento de Polícia Técnica.

A delegada adjunta Acácia de Oliveira Nunes informou que a vistoria era mais uma ação de rotina, um “pente-fino” para coibir futuras fugas ou até mesmo rebeliões. Ela garantiu que passa por uma rigorosa revista todo material levado aos presos através de parentes, descartando falta de comprometimento de policiais em suas obrigações. A delegada também não acredita em conivência dos agentes, já que, numa situação de motim, todos que se encontrarem na delegacia correm risco de morte.

Conforme acredita a delegada, os materiais apreendidos chegaram à 1ª DP através de presos de outras unidades do complexo. Como no prédio o pátio de banho de sol é o mesmo usado por presos da 1ªDP, da DTE e da Delegacia de Homicídios, ela não descarta a hipótese de os custodiados estarem trocando informações entre si. “Enquanto presos de uma delegacia estão no pátio, eles têm acesso aos outros detentos através das grades”, disse a delegada, que destacou a superlotação como a principal causa para este tipo de situação.

Rebelião - No início da manhã de 10 de dezembro do ano passado, em protesto contra a superlotação da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes, 90 homens recolhidos ao xadrez fizeram reféns oitos colegas de celas, destruíram todas as instalações e ameaçam uma fuga em massa. A rebelião só foi suspensa no final da tarde com a interferência de representantes do Ministério Público Estadual, que se comprometeram a intermediar o atendimento de algumas exigências dos detentos.

Com a destruição do xadrez da DTE, os promotores Edmundo Reis, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), e Izabel Adelaide, do Grupo de Atuação Especial para o Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), garantiram a transferência de pelo menos 25 presos para o Complexo Penitenciário do Estado, no bairro da Mata Escura, enquanto ao demais foram distribuídos para outras delegacias, também com problemas de superlotação.

 

 

 

1 Comentário

  1. Comentário de kellyhosana on Abril 29, 2008 2:45 am

    Traficar na cadeia é mais fácil. O risco de ser pego é bem menor…

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