Análise Crítica - REUNI

O debate da disciplina Comunicação e Atualidade II acerca do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), instituído pelo Governo Federal em abril de 2007, aconteceu no dia 10 de junho, com a presença de três convidados.

O debate tinha como objetivo discutir as implicações metodológicas do Reuni como a

1. Autonomia das Universidades Federais:

2. O bacharelado interdisciplinar

3. Questão orçamentária da implantação do programa.

Para isso convidamos dois professores e dois estudantes, com históricos de posicionamento distintos sobre as diretrizes da reformulação universitária. Foram eles:
1. Arthur Gibson  - estudante de história, líder do Centro Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas e militante filiado ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).
2. Fernando Pacheco – estudante de economia, membro do grupo político universitário Flores de Maio e da Executiva Nacional do PT
3. Arthur Matos Neto – Diretor do Instituto de Física
4. Marcelo Embiruçu – Coordenador do colegiado de Engenharia Química. *

*Por motivos pessoais, o Prof. Marcelo Embiruçu teve de cancelar sua participação no evento.

Arthur Gibson e o Prof. Arthur Neto se colocaram durante o processo de adesão da UFBA ao Reuni numa posição de reprovação as diretrizes do programa, enquanto Fernando Pacheco foi um entusiasta de primeira hora do programa.

Ainda que as questões do debate estivessem direcionadas para uma abordagem do futuro da universidade com o REUNI, foi inevitável um resgate do conturbado processo de implementação do decreto na UFBA e nas demais universidades federais. O Professor Arthur pontua que antes de responder a qualquer questão acerca do tema, faz-se necessária uma retomada da votação do documento de adesão assinado no dia 19 de outubro de 2007, “o vencido não pode ser esquecido, este reitorado não respeitou o direito das minorias” afirma.

Em seu turno, Fernando Pacheco resgatou o histórico antidemocrático e elitista da universidade pública, para em seguida exaltar as conquistas quantitativas do REUNI: número de vagas, contratação de professores e funcionários, e metas que projetam maiores índices de conclusão.

Gibson, em seu primeiro momento, empenhou-se em contextualizar o decreto dentro da política do governo Lula, enquadrando-o dentro dos ditames da política neoliberal. Em resposta, Fernando aponta a atual conjuntura política latino-americana como predominantemente de governos de esquerda, confrontando a opinião de Gibson. Ambas as considerações são irrelevantes para a proposta do debate, contudo, demarcaram os lugares de falas dos convidados.

Quando questionados acerca dos Bacharelados Interdisciplinares, Gibson é enfático em sua desaprovação. Ele indica que o BI instalará uma formação generalista numa universidade sem pesquisa ou extensão, uma instituição incapaz de proporcionar uma formação acadêmica plena. Para arrematar, ele afirma que o BI seria ” o milagre da multiplicação”, jamais um incremento educacional no ensino superior brasileiro. A inclinação socialista de Gibson se expressaria ainda quando ele ataca uma universidade voltada somente para despejar diplomas no mercado. Está implícito em seu discurso a idéia de que o papel ideal da universidade pública deve pender para desenvolvimento de uma formação humanitária e não corresponder a demanda mercadológica.

Fernando contesta a provocação de Gibson afirmando que “ou o BI é uma  formação generalista ou é uma formação mercadológica” , atenta ainda que uma fomação voltada para o mercado não é de todo ruim para universidade, uma vez que é uma necessidade do povo brasileiro.

Com o objetivo de diminuir a evasão, o REUNI propõe a meta de 90% dos alunos matriculados há cinco anos deverão concluir os estudos, sobre essa meta o Professo Arthur pontua que “fere um pouco, mas não de morte” a autonomia das universidades federais, coloca ainda que “essa é uma daquelas metas para não serem alcançadas “, a posição do professor no debate foi mais moderada do que no momento da adesão, onde ele falava à imprensa sbre o carater antidemocrático da implementação do REUNI e se poscionava fortemente contra o programa, hoje, ele justifica a sua  moderação com o fato de que não há volta, afirma que “perdeu” e que agora é momento de pensar em implatar o decreto através de um processo justo.

Gibson por sua vez, trata a meta de 90% como “completamente irreal”, lembra da falta de assistência estudantil na UFBA, ele atenta para porcentagem de verba prevista pelo decreto, que aumentará no máximo 20%, enquanto o aumento de alunos será de 80%. Fala ainda do risco da universidade transformar-se m direção do modelo adotado pelo ensino médio publico.

Fernando Pacheco lembra da cultura de reprovação de algumas unidades, contudo, concorda com os outros ebatedores e diz que o número de 90% é absurdo. Pontua ainda novamente, assim como na sua primeira fala, do problema estrutural da universidade, que passa, segundo ele, por questões políticas, “a força está concentrada nos departamentos, nas figura dos mesmos professores”.

Rebatendo a última afirmação de Fernando, Prof. Arthur afirma que o curso de física por exemplo, tem um ídice de 20% de conclusão, mas esse número e repete nos países da Europa, ou seja, é uma característica desta formação. Nesta mesma fala retoma o tema da proposta de universalização do ensino superior através do REUNI: “A questão é dinheiro, já sabemos quando universalizmos o ensino médio o que aconteceu, o salário dos professores achatou, a profissão foi desvalorizada, (…), quem não tiver uma pós graduação forte corre o risco de virar um escolão de terceiro grau”. Segundo ele, os estados do nordeste correm esse rico.

Falando sobre a proposta de média de 18 alunos por professor o professor Arthur contemporizou, dizendo que essa meta é possível, mas que não é aplicável a todos os cursos nem em todas as disciplinas, a firmou que as metas do decreto são necessárias para que se possa correr atrás de algo, sem metas “não vai acontecer nem assim nem assado”, diz ele. Na sua fala, o professor diz novamente acreditar que este é o momento de pressionar o Governo Lula para que a reforma aconteça da melhor maneira possível, lembra que o decreto só tem uma página, ou seja, está aberto e este é o momento de sua construção, e que a construção der-se a partir de debates como este.

Gibson contesta a posição do prof. Arthur, afirma que “o reitor fraudou” a adesão e que o REUNI não é a única forma de reformar a universidade.

Por fim, vale pontuar a explicação do Professor Arthur acerca da  de suas críticas ao decreto : “minha crítica ao REUNI hoje é completamente diferente de uma não atrás, simplesmente porque nós assinamos. “

Podemos perceber ao longo desta pequena explanação sobre o debate o quanto estavam demarcados os lugares de fala dos convidados, seus discursos eram condizentes com as instituições as quais fazem parte. Fernando como já dito, membro do partido Governo Lula, utiliza dados e números disponibizadosembasar suas falas, seus enunciados são bastante coerentes, sua postura passa segurança e ele fala de forma muito elucidativa. pelo governo para

A postura de Arthur Gibson também é condizente com seu histórico no movimento estudantil e com sua participação num partido de oposição ao governo. Sua postura durante o debate é mais agressiva, contudo, denota paixão e crença naquilo que expõe, a estratégia de convencimento vem desse fatores, além dos argumentos também baseados em números e enunciados de forma esclarecida.

A postura do professor Arthur Matos distanciava-se das dos dois estudantes, certamente pela posição de único  professor presente na mesa, o que lhe conferia uma autoridade diferenciada. No inicio do debate suas posições pareciam bastante contrárias ao decreto, contudo, suas opiniões são pragmáticas, de maneira que, no final do debate o Professor já direcionava seu discurso para o debate sobre as melhores maneiras para implantação do REUNI, uma vez que entendeu o momento conturbado da adesão como passado.

Entendemos o debate como produtivo, esclarecedor e bem demarcado. Podemos perceber claramente os lugares de fala dos debatedores, contudo, as questões essencialmente políticas foram controladas pelo mediador, e o tema foi o enfoque da discussão, esta por sua vez, teve nos apresentou esclarecimentos pertinentes tanto pró quanto contra REUNI, conferindo ao público maiores possibilidades de formar uma opinião própria e embasada sobre o tema.

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