debatesdequinta http://debatesdequinta.com a atualidade baiana em questão. Sat, 21 Jun 2008 03:03:50 +0000 http://wordpress.com/ pt-br hourly 1 http://www.gravatar.com/blavatar/d9e8a2cf5958f6e3b34ae48eba7b5e01?s=96&d=http://s.wordpress.com/i/buttonw-com.png debatesdequinta http://debatesdequinta.com Políticas Públicas de Cultura - Análise Crítica http://debatesdequinta.com/2008/06/21/politicas-publicas-de-cultura-analise-critica/ http://debatesdequinta.com/2008/06/21/politicas-publicas-de-cultura-analise-critica/#comments Sat, 21 Jun 2008 03:03:50 +0000 natimprota http://facomdebate.wordpress.com/?p=230 ]]>

Política Cultural é a ação do Governo que visa à melhora da qualidade de vida da população através de atividades culturais, artísticas, sociais e recreativas. O Ministério de Cultura vem investindo cada vez mais nessas políticas, priorizando a diversidade e trabalhando com um conceito ampliado de cultura, valorizando manifestações populares, indígenas e de origem africana. Um dos eixos para distribuição dos recursos é a abertura de editais, que busca atingir um maior número de artistas, de manifestações e expressões da cultura brasileira e contemplar o maior número de projetos.

O edital é um processo de seleção pública com regras claras para o repasse de recursos do Ministério da Cultura ou da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, para uma área determinada como, por exemplo, cinema, teatro, artes visuais e música. Segundo o observatório de editais, “a seleção pública de projetos culturais, com utilização de editais, representa uma forma democrática e republicana para a distribuição de recursos públicos aos projetos e atividades culturais no país”.

Sabemos que, na Bahia, os valores investidos na cultura por meio de editais subiram de R$ 2 milhões, no ano passado, para mais de R$ 20 milhões este ano, principalmente através do Fundo de Cultura. O crescimento acompanha a política do Ministério da Cultura, que elevou os valores disponíveis por editais de R$ 22 milhões, em 2002, para R$ 216 milhões, em 2007, segundo dados do Observatório de Editais.

2007 foi o primeiro ano da gestão de Wagner à frente do Governo do estado da Bahia. Com a sua entrada, anunciou-se uma nova fase na política baiana pautada pela tentativa de mudanças de algumas políticas públicas praticadas nos 16 anos de governo carlista. Nas políticas culturais, não seria diferente. Foi, então, escolhido o diretor teatral de dramaturgo Márcio Meirelles para assumir o cargo de secretário da cultura e uma série de mudanças na gestão da cultura foram anunciadas prontamente.

Durante o ano passado, várias mudanças foram esboçadas e alguns projetos colocados em prática. Porém, essas novas políticas da secretaria da cultura geraram uma série de discussões, tanto na classe artística, como na classe política e na mídia baiana. Vários produtores culturais e artistas, que estavam ansiosos por mudanças e melhorias na gestão pública da cultura, no nosso estado, viram-se frustrados com algumas medidas que foram tomadas. Essa insatisfação culminou, então, em meados do mês de setembro e outubro de 2007, em uma série de matérias e artigos publicados em jornais e revistas baianas que anunciavam a crise na cultura.

As críticas foram das mais variáveis possíveis, vindas de vários setores da sociedade. De forma bastante contundente, a SECULT era acusada de pulverizar os recursos financeiros, negar ajuda financeira a importantes equipamentos culturais da capital e abandonar antigas políticas públicas, como o FazCultura.

A fim de discutir acerca dessa temática foram convidados: a diretora da Fundação Cultural do Estado da Bahia, Gisele Nussbaumer e o ator e jornalista, Gideon Rosa, representando a classe artística baiana.

Gideon Rosa é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia, mestre em Artes Cênicas e professor da Escola de Teatro da UFBA. Desde o ano passado tem lançado fortes críticas sobre a política cultural do estado, sempre deixando explícita sua insatisfação com as diretrizes tomadas desde 2007, após a posse do governador Wagner e a nomeação de Márcio Meirelles para Secretaria Estadual de Cultura. Ele considera que a maneira como os recursos são distribuídos gerou não só sua insatisfação com a condução da política cultural na atual administração, mas também a insatisfação de outros artistas, pois seria impossível fazer arte com os poucos recursos distribuídos pela SECULT/FUNCEB,  através dos editais.

Gisele Nussbaumer é graduada em comunicação social pela Universidade Federal de Santa Maria, possui mestrado em Ciências da Comunicação pela USP e é doutora em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia. É professora adjunta da Faculdade de Comunicação da UFBA e assumiu o cargo de diretora da FUNCEB em 2007, a partir da nomeação de Márcio Meirelles para Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Seus argumentos para as críticas freqüentemente feitas por Gideon Rosa, e outros da classe artística, encontram-se fundamentados em um conceito de cultura muito amplo, vindo de sua formação acadêmica e das pesquisas desenvolvidas por ela, com forte influência dos estudos culturais. Não se restringe a um conceito hermético de cultura enquanto grande arte, arte do espetáculo, as belas artes. Para ela, os editais são uma das formas de colocar todos em igualdade de condições na concorrência pelos recursos públicos.

O debate promovido para a discussão das políticas públicas de cultura no estado da Bahia teve como enfoque a política de editais. Os editais, segundo as considerações iniciais de Gideon Rosa, não são nenhuma novidade deste novo governo. Consolidaram-se desde 1979, mas só agora ganharam destaque, pois estão sendo “muito bem vendidos” por este “governo bastante midiático”. A boa venda consiste na publicização dos editais, como se estes fossem algo extraordinário no cenário cultural baiano. Para Gideon, a novidade trazida pelos editais, até então, refere-se à pulverização dos recursos que nada mais é que um assistencialismo cultural. Através deste assistencialismo, distribui recursos insuficientes à produção e a sustentabilidade de espetáculos em detrimento de um maior alcance no estado. Afirmou ainda, na ocasião, que a classe artística de Salvador é dependente dos recursos do Estado por não possuir um mercado consolidado e diz se sentir penalizado pela exigência da oferta de contrapartida social, como condição para o recebimento dos recursos.

A discussão sobre o tema tomou um rumo diferente do esperado, quando as questões ideológicas e o conceito de cultura assumido por cada convidado entraram no debate. Os discursos apresentados nas falas de cada um demonstraram opiniões antagônicas sobre o conceito de cultura e suas prioridades de investimento. Gideon afirma que a cultura de vanguarda, a qual defende, deve ser priorizada no destino dos recursos do governo e que não é justo solicitar contrapartidas sociais nos projetos culturais. Para ele, as políticas públicas deveriam se ater a um conceito de cultura ligado ao fazer artístico, à grande arte, às belas artes. Tem um posicionamento corporativista defendendo o investimento na cultura erudita, mais conhecida e, no entanto, legitimada.

Já Gisele Nussbaumer afirma que o governo possui um conceito de cultura amplo que não compreende apenas a cultura produzida em Salvador. A arte é apenas um dos aspectos a se considerar, e trabalha-se com a idéia da diversidade e do desenvolvimento da cultura, visando atender às demandas da população, e incentivando, valorizando não somente as linguagens artísticas, mas sim as diversas manifestações culturais existentes no estado da Bahia.

A partir destas opiniões, outros termos foram levantados no decorrer do debate. O que mais chamou a atenção foi a divergência na concepção acerca de termos como pulverização e democratização dos recursos. Para o artista, a política de editais oferecidas pelo atual governo é ineficaz, uma vez que o dinheiro que eles recebiam já era irrisório e, portanto, insuficiente para a produção de espetáculos. Já havia reivindicações por mais verbas. Agora, este pouco, segundo Gideon Rosa, é pulverizado, a fim de favorecer um “assistencialismo cultural” do governo na busca pelo pronto atendimento a outras áreas. Lançam-se vários editais com premiações muito abaixo das necessidades e que, neste caso, a arte não é prioridade para esses editais. Para ele, isso levaria, por fim, a “produções artísticas medíocres”, “produções infames”.

Para a diretora da FUNCEB, o que Gideon chama de pulverizar recurso seria a democratização dos recursos através da “idéia da diversidade, do desenvolvimento, da descentralização, sobretudo, dos recursos e da transparência”. Gisele afirma que “os editais vão na contra mão do clientelismo, garantindo a democratização e a transparência no uso dos recursos”. Seria uma forma eqüitativa e não a privilegiar poucos, mesmo sendo estes da grande arte.

Quando perguntada sobre como trazer à tona este equilíbrio, ou ao menos minimizar as diferenças entre Salvador e as cidades do interior, a diretora da FUNCEB, afirma que o mérito maior está nos novos 60% de recursos do Fundo de Cultura, que agora passam a ser direcionados para os editais, além das comissões de organização dos mesmos já serem formadas também por profissionais do interior do Estado. Ela também faz questão de ressaltar a importância do apoio à capacitação de produtores e artistas do interior, que a partir dessa ação transformadora do governo, podem concorrer, com mais chances, a recursos públicos.

O debate se mostrou, por fim, um importante lugar, onde algumas questões que não foram debatidas nas inúmeras matérias e publicações da mídia baiana pudessem ser esclarecidas de forma dialógica e profunda. Apesar de, em dado momento do debate, os ânimos terem se alterado, a ponto de desconsiderar algumas regras previamente propostas, a exposição de idéias e argumentos de cada debatedor foi bem equilibrada e distribuída de forma equitativa. Foi possível analisar, claramente, em quais pontos esses dois discursos, radicalmente antagônicos, divergem e confirmar, mais uma vez, a amplitude e abrangência do conceito de cultura.

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http://debatesdequinta.com/2008/06/21/politicas-publicas-de-cultura-analise-critica/feed/ Nati Improta
Análise Crítica - REUNI http://debatesdequinta.com/2008/06/20/analise-critica-reuni/ http://debatesdequinta.com/2008/06/20/analise-critica-reuni/#comments Fri, 20 Jun 2008 23:21:13 +0000 masouza http://facomdebate.wordpress.com/?p=229 ]]>

O debate da disciplina Comunicação e Atualidade II acerca do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), instituído pelo Governo Federal em abril de 2007, aconteceu no dia 10 de junho, com a presença de três convidados.

O debate tinha como objetivo discutir as implicações metodológicas do Reuni como a

1. Autonomia das Universidades Federais:

2. O bacharelado interdisciplinar

3. Questão orçamentária da implantação do programa.

Para isso convidamos dois professores e dois estudantes, com históricos de posicionamento distintos sobre as diretrizes da reformulação universitária. Foram eles:
1. Arthur Gibson  - estudante de história, líder do Centro Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas e militante filiado ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).
2. Fernando Pacheco – estudante de economia, membro do grupo político universitário Flores de Maio e da Executiva Nacional do PT
3. Arthur Matos Neto – Diretor do Instituto de Física
4. Marcelo Embiruçu – Coordenador do colegiado de Engenharia Química. *

*Por motivos pessoais, o Prof. Marcelo Embiruçu teve de cancelar sua participação no evento.

Arthur Gibson e o Prof. Arthur Neto se colocaram durante o processo de adesão da UFBA ao Reuni numa posição de reprovação as diretrizes do programa, enquanto Fernando Pacheco foi um entusiasta de primeira hora do programa.

Ainda que as questões do debate estivessem direcionadas para uma abordagem do futuro da universidade com o REUNI, foi inevitável um resgate do conturbado processo de implementação do decreto na UFBA e nas demais universidades federais. O Professor Arthur pontua que antes de responder a qualquer questão acerca do tema, faz-se necessária uma retomada da votação do documento de adesão assinado no dia 19 de outubro de 2007, “o vencido não pode ser esquecido, este reitorado não respeitou o direito das minorias” afirma.

Em seu turno, Fernando Pacheco resgatou o histórico antidemocrático e elitista da universidade pública, para em seguida exaltar as conquistas quantitativas do REUNI: número de vagas, contratação de professores e funcionários, e metas que projetam maiores índices de conclusão.

Gibson, em seu primeiro momento, empenhou-se em contextualizar o decreto dentro da política do governo Lula, enquadrando-o dentro dos ditames da política neoliberal. Em resposta, Fernando aponta a atual conjuntura política latino-americana como predominantemente de governos de esquerda, confrontando a opinião de Gibson. Ambas as considerações são irrelevantes para a proposta do debate, contudo, demarcaram os lugares de falas dos convidados.

Quando questionados acerca dos Bacharelados Interdisciplinares, Gibson é enfático em sua desaprovação. Ele indica que o BI instalará uma formação generalista numa universidade sem pesquisa ou extensão, uma instituição incapaz de proporcionar uma formação acadêmica plena. Para arrematar, ele afirma que o BI seria ” o milagre da multiplicação”, jamais um incremento educacional no ensino superior brasileiro. A inclinação socialista de Gibson se expressaria ainda quando ele ataca uma universidade voltada somente para despejar diplomas no mercado. Está implícito em seu discurso a idéia de que o papel ideal da universidade pública deve pender para desenvolvimento de uma formação humanitária e não corresponder a demanda mercadológica.

Fernando contesta a provocação de Gibson afirmando que “ou o BI é uma  formação generalista ou é uma formação mercadológica” , atenta ainda que uma fomação voltada para o mercado não é de todo ruim para universidade, uma vez que é uma necessidade do povo brasileiro.

Com o objetivo de diminuir a evasão, o REUNI propõe a meta de 90% dos alunos matriculados há cinco anos deverão concluir os estudos, sobre essa meta o Professo Arthur pontua que “fere um pouco, mas não de morte” a autonomia das universidades federais, coloca ainda que “essa é uma daquelas metas para não serem alcançadas “, a posição do professor no debate foi mais moderada do que no momento da adesão, onde ele falava à imprensa sbre o carater antidemocrático da implementação do REUNI e se poscionava fortemente contra o programa, hoje, ele justifica a sua  moderação com o fato de que não há volta, afirma que “perdeu” e que agora é momento de pensar em implatar o decreto através de um processo justo.

Gibson por sua vez, trata a meta de 90% como “completamente irreal”, lembra da falta de assistência estudantil na UFBA, ele atenta para porcentagem de verba prevista pelo decreto, que aumentará no máximo 20%, enquanto o aumento de alunos será de 80%. Fala ainda do risco da universidade transformar-se m direção do modelo adotado pelo ensino médio publico.

Fernando Pacheco lembra da cultura de reprovação de algumas unidades, contudo, concorda com os outros ebatedores e diz que o número de 90% é absurdo. Pontua ainda novamente, assim como na sua primeira fala, do problema estrutural da universidade, que passa, segundo ele, por questões políticas, “a força está concentrada nos departamentos, nas figura dos mesmos professores”.

Rebatendo a última afirmação de Fernando, Prof. Arthur afirma que o curso de física por exemplo, tem um ídice de 20% de conclusão, mas esse número e repete nos países da Europa, ou seja, é uma característica desta formação. Nesta mesma fala retoma o tema da proposta de universalização do ensino superior através do REUNI: “A questão é dinheiro, já sabemos quando universalizmos o ensino médio o que aconteceu, o salário dos professores achatou, a profissão foi desvalorizada, (…), quem não tiver uma pós graduação forte corre o risco de virar um escolão de terceiro grau”. Segundo ele, os estados do nordeste correm esse rico.

Falando sobre a proposta de média de 18 alunos por professor o professor Arthur contemporizou, dizendo que essa meta é possível, mas que não é aplicável a todos os cursos nem em todas as disciplinas, a firmou que as metas do decreto são necessárias para que se possa correr atrás de algo, sem metas “não vai acontecer nem assim nem assado”, diz ele. Na sua fala, o professor diz novamente acreditar que este é o momento de pressionar o Governo Lula para que a reforma aconteça da melhor maneira possível, lembra que o decreto só tem uma página, ou seja, está aberto e este é o momento de sua construção, e que a construção der-se a partir de debates como este.

Gibson contesta a posição do prof. Arthur, afirma que “o reitor fraudou” a adesão e que o REUNI não é a única forma de reformar a universidade.

Por fim, vale pontuar a explicação do Professor Arthur acerca da  de suas críticas ao decreto : “minha crítica ao REUNI hoje é completamente diferente de uma não atrás, simplesmente porque nós assinamos. “

Podemos perceber ao longo desta pequena explanação sobre o debate o quanto estavam demarcados os lugares de fala dos convidados, seus discursos eram condizentes com as instituições as quais fazem parte. Fernando como já dito, membro do partido Governo Lula, utiliza dados e números disponibizadosembasar suas falas, seus enunciados são bastante coerentes, sua postura passa segurança e ele fala de forma muito elucidativa. pelo governo para

A postura de Arthur Gibson também é condizente com seu histórico no movimento estudantil e com sua participação num partido de oposição ao governo. Sua postura durante o debate é mais agressiva, contudo, denota paixão e crença naquilo que expõe, a estratégia de convencimento vem desse fatores, além dos argumentos também baseados em números e enunciados de forma esclarecida.

A postura do professor Arthur Matos distanciava-se das dos dois estudantes, certamente pela posição de único  professor presente na mesa, o que lhe conferia uma autoridade diferenciada. No inicio do debate suas posições pareciam bastante contrárias ao decreto, contudo, suas opiniões são pragmáticas, de maneira que, no final do debate o Professor já direcionava seu discurso para o debate sobre as melhores maneiras para implantação do REUNI, uma vez que entendeu o momento conturbado da adesão como passado.

Entendemos o debate como produtivo, esclarecedor e bem demarcado. Podemos perceber claramente os lugares de fala dos debatedores, contudo, as questões essencialmente políticas foram controladas pelo mediador, e o tema foi o enfoque da discussão, esta por sua vez, teve nos apresentou esclarecimentos pertinentes tanto pró quanto contra REUNI, conferindo ao público maiores possibilidades de formar uma opinião própria e embasada sobre o tema.

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Resenha Crítica do Debate Sobre PDDU http://debatesdequinta.com/2008/06/18/resenha-critica-do-debate-sobre-pddu/ http://debatesdequinta.com/2008/06/18/resenha-critica-do-debate-sobre-pddu/#comments Wed, 18 Jun 2008 14:41:11 +0000 sarasiger http://facomdebate.wordpress.com/?p=225 ]]>

Durante o debate realizado no dia três de junho, sobre a polêmica temática do PDDU, com os convidados Clímaco Dias (professor do Instituto de Geociências), Mary Weinstein (jornalista do A Tarde), Inaiá Maria Moreira (doutora em Sociologia) e Washington Queiroz (membro do conselho de cultura) foram tiradas algumas conclusões sobre o tema.
O debate pretendia discutir mais profundamente as contradições sociais que o PDDU pode levar na cidade do Salvador, explicitando quais as questões principais deste acirramento de desigualdades tão presentes em nossa cidade.
A escolha dos convidados recaiu principalmente pelo enfoque dado ao tema. O grupo preferiu abdicar da escolha de um especialista sobre o PDDU (arquiteto, urbanista etc.) para compor a mesa com estudiosos da área de humanas que pudessem analisar quais possíveis impactos o projeto urbanístico trará para a vida dos soteropolitanos.
Antes de explicitar as análises mais relevantes de cada convidado faremos um breve levantamento histórico sobre o tema, de acordo com informações do grupo Gambá, ONG que trata do tema relacionado sobre meio-ambiente.

Em 2004, o projeto de Lei do PDDU foi aprovado pelo então Prefeito Antônio Imbassay. O processo de aprovação não garantiu a difusão das informações e dos documentos, nem a participação da sociedade nas discussões, como previsto no art 40, inciso 4º do Estatuto da Cidade:
4o No processo de elaboração do plano diretor e na fiscalização de sua implementação, os Poderes Legislativo e Executivo municipais garantirão: I – a promoção de audiências públicas e debates com a participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade; II – a publicidade quanto aos documentos e informações produzidos; III – o acesso de qualquer interessado aos documentos e informações produzidos.

Ao assumir a Prefeitura Municipal de Salvador (PMS), João Henrique se comprometeu em iniciar o debate e a revisão do Plano Diretor de Salvador. Foi elaborada uma minuta e no início desse ano, a PMS realizou audiências públicas através das Administrações Regionais (AR’s) para discutir o PDDU.

Como essas audiências não foram satisfatórias para discutir questões como a mudança do gabarito da orla, permitindo a construção de prédios até 18 andares, e da Avenida Paralela, como principal vetor de expansão urbana desconsiderando a importante preservação dos últimos resquícios de mata atlântica na cidade, a Câmara Municipal de Salvador (CMS), propôs a realização de 15 (quinze) audiências públicas para uma apreciação final e garantir o debate e a inscrição de emendas no documento. Mesmo assim, essas não estão tendo a participação desejada, seja pela pouca divulgação ou pela dificuldade de compreensão da leitura do PDDU.

O professora Inaiá Moreira iniciou sua exposição revelando que Salvador não é apenas uma cidade. Para a socióloga a cidade se divide em três: a cidade tradicional, a cidade moderna e a cidade precária. Inaiá ainda explicitou que Salvador já é uma cidade extremamente dividida e desigual e que a influencia do capital imobiliário agrava ainda mais este problema.

O antropólogo Washington Queiroz iniciou sua fala relatando o alheamento social que a cidade vive. Para ele a falta de debate sobre o tema ainda em 2004 e posteriomente com a aprovação em dezembro de 2007 são provas cabais de que o debate com a sociedade sobre o PDDU foi de uma participação ínfima com a sociedade.

Para a jornalista Mary Weinstein o plano atinge de imediato um foco: a mudança no gabarito da orla. Segundo palavras dela: “Nada é levado em conta do PDDU 2004, somente consta o gabarito da orla. O plano existe para isso”.

A jornalista ainda afirmou o caráter desigual do plano, apontando a distorção que existe no projeto quanto ao que tange a periferia de Salvador. Mary acredita que a falta de planejamento para a periferia ressalta o caráter pouco popular do plano diretor.

O geógrafo Clímaco Dias foi além da analise da jornalista. Para ele há um problema de leitura da cidade. Não houve participação dos citadinos na construção do plano diretor, sendo que a decisão do PDDU influencia a vida de todos os soteropolitanos. Clímaco ainda afirmou que o PDDU é uma neo-dominação pois tem como prioridade apenas os interesses da classe média. Para ele tudo que foi pautado no plano e na cobertura jornalística, a questão do gabarito da orla é um exemplo disso, atende interesses da classe média.

Clímaco ainda afirmou que é totalmente contra a verticalização da orla, pois fere crimes ambientais fortes, contudo é totalmente a favor da verticalização da cidade para as regiões periféricas. Pois segundo ele, a cidade horizontal é uma cidade cara e que poucos têm recursos para mantê-la.

Para a jornalista Mary as questões pautadas pela mídia não foram centralizadas na classe média. Ela citou que a falta de informação e a não divulgação precisa dos dados técnicos do projeto como os principais fatores para o insucesso do PDDU.

Clímaco rebateu os argumentos de Mary apontando que a classe média só quis discutir verticalização e praia. Ele culpou a classe média, que segundo ele é extremamente conservadora, pelo modelo de PDDU adotado.

A teoria do “não no meu quintal” segundo Clímaco é a que prevalece na mentalidade da classe média de Salvador. Clímaco ainda garante que se fossem discutidos os termos técnicos de forma, didática e explicativa, o povo poderia ser facilmente integrado na discussão. Ele rebateu a teoria de Mary de que termos técnicos afastaram a discussão do plano. “Termos técnicos não afastam ninguém de se interar pelo assunto”, sintetizou.

Ianiá afirmou em sua fala que existe uma clara distinção das pessoas que vivem na cidade e as pessoas que vivem da cidade. E existe também uma clara distinção dos poderes públicos para tratar os dois grupos. Questões de transporte, acessibilidade, divisão do trabalho e a própria relação de Salvador com sua região metropolitana (que para a socióloga e para Clímaco é vista de forma esquizofrênica) devem ser contemplados para ambos os grupos, de acordo com Ianiá.

Washington Queiroz lembrou também é preciso se pensar na requalificação das ZEIS e a estruturação do próprio modelo de desenvolvimento de Salvador. O plano é quem o crescimento e a ordenação do solo da cidade e todos os segmentos tem que estar incluídos na discussão para que haja a superação deste modelo atual que é claramente segregador.

Clímaco em sua fala comparou Salvador a uma noiva na visão dos dirigentes públicos. Ele afirmou que os governantes só querem pentear a Orla e o centro Histórico, pois acreditam numa eterna vocação para o turismo da cidade, que para ele representa uma esquizofrenia de Salvador.

Ele afirma que a capital da Bahia é a penúltima capital em termos de PIB e renda per capita. E ainda aponta Salvador como a Salvador mais cruel ambientalmente a partir do PDDU.

Ianiá apontou por fim que devemos estar atentos ao suposto discurso modernizador, pois por trás dele pode se esconder uma forte campanha contra os populares e uma densa extensão de argumentos a favor de uma determinada classe que quer pautar todos os interesses da cidade.

A conclusão tirada pelo grupo, após uma reunião para discutir o debate, foi de que o discurso embutido na modernização da cidade trazida pelo PDDU e a concentração de temas relacionados ao gabarito da orla e de outras questões que envolviam exclusivamente a cidade “rica” foram de cunho intencional e revelam uma forma elitista e reacionária de se pensar a metrópole baiana.

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Secult abre inscrições para editais do Fundo de Cultura 2008 http://debatesdequinta.com/2008/06/12/secult-abre-inscricoes-para-editais-do-fundo-de-cultura-2008/ http://debatesdequinta.com/2008/06/12/secult-abre-inscricoes-para-editais-do-fundo-de-cultura-2008/#comments Thu, 12 Jun 2008 11:30:18 +0000 natimprota http://facomdebate.wordpress.com/?p=223 ]]>

Fonte: Secult

Está aberto o calendário de inscrições para os editais do Fundo de Cultura 2008, realizados através de parceria entre a Secretaria de Cultura e a Secretaria da Fazenda. A partir do dia 5 de junho, os interessados já podem inscrever seus projetos em cinco editais: Edital 68+40; Apoio à Curadoria e Montagem de Exposições; Apoio à Montagem de Espetáculos de Dança; Apoio à Produção de Conteúdo Digital em Música; Apoio à Montagem de Espetáculos de Teatro. As inscrições vão até dia 22 de julho. Faça o download dos editais e formulários aqui.

A partir do próximo dia 10 de junho, mais nove editais estarão com inscrições abertas: Intercâmbio e Difusão CulturalApoio a Editoras para Edição de Livros de Autores Baianos; Apoio à Edição de Livros de Poesia, Romance, Literatura Infanto-Juvenil e Contos; Apoio à Edição de Folhetos de Cordel (lançado diretamente pela Fundação Pedro Calmon); Apoio à produção de Longa-Mentragem; Apoio à produção de Curta-Metragem; Apoio à produção de Documentários e Apoio à produção de Conteúdo para TV. Ao todo, os 14 editais somam mais de R$6 milhões investidos na produção artística do Estado.

Até o final de agosto, serão lançados cerca de 40 editais que contemplam diversas áreas da cultura, em todas as suas dimensões: formação, pesquisa, produção, circulação, reflexão, memória. Com isso, serão destinados R$ 20 milhões para o apoio direto à produção cultural através de seleções públicas. A expectativa é apoiar cerca de 400 projetos, impulsionando a produção cultural em diversos territórios de identidade da Bahia.

Com a abertura das inscrições para os editais do Fundo de Cultura, a Secretaria de Cultura amplia um modelo testado, no ano passado, pela Fundação Cultural do Estado (Funceb), unidade da Secult responsável por desenvolver e implementar políticas públicas para as linguagens artísticas. Em 2007, a Funceb lançou 23 editais, que contemplaram 155 projetos, envolvendo cerca de R$2 milhões. A idéia, agora, é estender o uso desse instrumento de apoio para todas as áreas de atuação da Secretaria, dobrando o número de seleções públicas e aumentando em 10 vezes o volume de recursos investidos na cultura através de editais.

“Em vez de R$2 milhões, serão R$20 milhões para apoio à produção cultural através da realização de editais públicos para todas as áreas, o que envolve, além das Linguagens Artísticas, Audiovisual e Radiodifusão, Literatura e Memória, Patrimônio e Museus”, ressalta Carmen Lima, diretora do Fundo de Cultura. De acordo com ela, uma das principais vantagens dos editais é o maior foco na hora de escolher os projetos. “Podemos analisar todas as propostas de perfis semelhantes juntas, além de contar com comissões de avaliação específicas para cada seleção”, observa.

Lançados agora pelo Fundo de Cultura, os editais para Linguagens Artísticas vão contemplar um número maior de projetos, e com valores mais altos, atendendo a uma das principais demandas dos produtores culturais. “O objetivo é atender desde as produções menores até as de maior porte”, destaca Gisele Nussbaumer, diretora da Fundação Cultural. Projetos para montagem de espetáculos de teatro e dança, por exemplo, poderão contar com o apoio de até R$100 mil – antes, o máximo era R$50 mil para dança e R$60 mil para teatro. Uma outra mudança importante é que não haverá mais o desconto de 27,5% correspondente ao imposto retido na fonte, já que o apoio agora se caracteriza como um convênio e não mais como contrato de prestação de serviços.

Um segundo pacote de editais tem lançamento previsto para 26 de junho. Nesta data, deverão ser abertas seleções públicas para apoio a projetos nas seguintes áreas: Intervenções Urbanas, Cultura e Direitos Humanos, Artes Circenses, Projetos Artísticos e Educativos, Desenvolvimento Literário, Apoio a Ações de fomento à Leitura, Apoio a Bibliotecas Comunitárias, Projetos Especiais Territórios de Identidade, Apoio a iniciativas em Cultura Digital, Apoio a Museus, Elaboração de projeto de Patrimônio, Desenvolvimento de Roteiros, Programa radiofônico de poesia, Programa radiofônico infantil, Programa radiofônico de música independente.

As últimas seleções públicas serão abertas até o final de agosto. Entre eles, estão: Circulação de Espetáculos, Jogos Eletrônicos, Apoio a Concertos, Cultura Popular, Capoeira e Artes, Publicação de periódicos, Cultura e Juventude.

Editais marcam atual gestão da Cultura

O uso de editais como mecanismo de apoio direto à produção cultural é uma marca da atual gestão da cultura no Estado, já que se trata de um instrumento democrático e transparente, que possibilita processos menos burocráticos de seleção e maior foco no investimento dos recursos públicos, tendo em vista o desenvolvimento cultural.

No Brasil, nos últimos cinco anos, o volume de recursos públicos aplicados em cultura via edital aumentou em dez vezes, passando de R$22 milhões, em 2002, para R$216 milhões, em 2007, segundo dados do Observatório de Editais, do Ministério da Cultura. O montante do investimento realizado em cultura através de editais tem sido crescente também na iniciativa privada. Segundo Alfredo Manevy, Secretário de Políticas Culturais do MinC, nos últimos dois anos, as empresas privadas aumentaram em 36% o uso de editais em seus patrocínios.

Com um orçamento, em 2008, de R$33 milhões, a expectativa é de que 60% dos recursos do Fundo de Cultura sejam aplicados através da realização de editais e 25% através do apoio a projetos enviados por demanda espontânea. Os outros 15% são destinados aos contratos de manutenção de instituições artísticas.

De acordo com Carmen Lima, desde 2007 o Fundo de Cultura vem passando por reformulações que visam democratizar o acesso aos recursos do Estado para fomento direto – sem necessidade de captação de patrocínio – à produção cultural. Até 2006, explica, o Fundo de Cultura atendia apenas a 40 projetos, sendo a maior parte contratos de manutenção de algumas poucas instituições culturais e atividades propostas pela própria Secretaria, através de suas unidades. “Reestruturamos as regras de apoio, os projetos da Secult foram incorporados ao orçamento e ampliamos a divulgação do Fundo de Cultura, que era quase desconhecido”, enumera, destacando que o objetivo é “utilizar esse mecanismo de fomento como uma alavanca para o desenvolvimento da cultura no Estado”.

Veja os editais da Secult com inscrições abertas de 05/06 a 22/07:

Edital 68+40 (R$600 mil) - Inédito
Aproveitando as comemorações sobre o ano de 1968 em todo mundo, a Secult lança um edital com propostas artísticas que tenham interesse em refletir sobre um dos anos mais importantes do século XX. Em ARTES-VISUAIS, o edital vai selecionar um projeto de exposição coletiva no valor de até R$ 50 mil. Em REGISTRO E MEMÓRIA DE DANÇA E TEATRO serão quatro projetos que resultem em exposição iconográfica ou vídeo-documentário, cada um no valor de R$ 50 mil. Na categoria MÚSICA, o edital vai selecionar um projeto de gravação de CD de releituras de músicas representativas dos anos 60 e show de lançamento no valor de R$ 200 mil. Na categoria LIVRO, o edital contempla um projeto no valor de R$ 50 mil para publicação e lançamento de livro com artigos, depoimentos, ensaios, entrevistas e ou textos ficcionais, incluindo registros visuais sobre a época. Além disso, serão premiados um projeto de dez mini-documentários para RÁDIO no valor de R$ 40 mil, e um projeto para a produção de dez mini-documentários com registro de época e ou entrevistas no valor de R$ 60 mil para a categoria TELEVISÃO. As inscrições vão até o dia 22 de julho e devem ser feitas na sede da Fundação Cultural, localizada na Praça Tomé de Souza, Palácio Rio Branco, ou através da Caixa Postal 2485, Cep 40020970. Os formulários de inscrição podem ser baixados no site da Secult (www.cultura.ba.gov.br).

Edital de Intercâmbio e Difusão Cultural (R$60 mil)
O Edital de Apoio ao Intercâmbio e Difusão Cultural seleciona propostas para obtenção de apoio financeiro para participação em eventos culturais nacionais ou internacionais, com o objetivo de promover a difusão e o intercâmbio da arte e cultura baiana. O apoio financeiro deve custear despesas com transporte de artistas, grupos artísticos, técnicos e estudiosos convidados a participar em eventos culturais, promovidos por instituições brasileiras ou estrangeiras, de reconhecido mérito. O total de recursos disponível para este Edital é de R$ 60 mil.

As inscrições vão até dia 22 de julho e devem ser realizadas na Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, na Avenida Tancredo Neves, 776, sétimo andar. Os formulários de inscrição podem ser baixados no site da Secult (www.cultura.ba.gov.br) ou no site da Funceb (www.funceb.ba.gov.br).

Edital Matilde Matos de Apoio à Curadoria e Montagem de Exposições (R$280 mil)
Este edital engloba os antigos “Editais Matilde Matos – Montagem de Exposição” e “Diálogos Estéticos – Curadoria de Artes Visuais”, que no ano passado contemplaram nove projetos, no valor total de R$90 mil. Em 2008, serão selecionadas 10 propostas para curadoria e montagem de exposição na Bahia, com execução prevista até abril de 2009. O investimento será de R$280 mil, três vezes mais do que no ano anterior. Quatro projetos receberão apoio na categoria “curadoria e montagem”, no valor de até R$40 mil cada um; e outros quatro na categoria “montagem”, no valor de até R$20 mil por proposta. Serão selecionados, também, dois projetos, no valor de até R$20 mil cada, para montagem de exposição na Galeria 3 do MAM.

Edital Yanka Rudzka de Apoio à Montagem de Espetáculos de Dança (R$ 440 mil)
Este ano, serão apoiados um número maior de projetos, com valores diferenciados. Enquanto em 2007 foram repassados R$160 mil para quatro projetos, este ano serão R$440 mil para oito propostas, sendo quatro de até R$30 mil, duas de até R$60 mil e dois de até R$100 mil. Os espetáculos devem ser realizados na Bahia, com execução prevista até abril de 2009.

Edital Apoio à Produção de Conteúdo Digital em Música (R$ 360 mil)
Serão contemplados, com este edital, 11 projetos, sendo que quatro receberão apoio no valor de até R$15 mil cada, quatro no valor de até R$30 mil e três de até R$60 mil. Em relação a 2007, significa o dobro de propostas contempladas e um aumento de mais de cinco vezes no valor total do edital.

Edital Manuel Lopes Pontes de Apoio a Montagem de Espetáculos de Teatro (R$ 440 mil)
Este ano, os produtores teatrais poderão pleitear um volume maior de recursos para a montagem de espetáculos. Enquanto no ano passado foram selecionados cinco projetos, que somaram R$160 mil, desta vez o montante total será de R$440 mil, quase três vezes mais, para apoio direto a oito projetos. Quatro no valor de até R$30 mil cada, dois de até R$60 mil, e dois de até R$100 mil por proposta. Os espetáculos devem ser realizados na Bahia, com execução prevista até abril de 2009.

As inscrições vão até o dia 22 de julho e devem ser feitas na sede da Fundação Cultural, localizada na Praça Tomé de Souza, Palácio Rio Branco, ou através da Caixa Postal 2485, Cep 40020970. Os formulários de inscrição podem ser baixados no site da Secult (www.cultura.ba.gov.br) ou no site da Funceb (www.funceb.ba.gov.br).

Veja os editais da Secult com inscrições abertas de 10/06 a 30/07:

Edital de Intercâmbio e Difusão Cultural (R$60 mil)
O Edital de Apoio ao Intercâmbio e Difusão Cultural seleciona propostas para obtenção de apoio financeiro para participação em eventos culturais nacionais ou internacionais, com o objetivo de promover a difusão e o intercâmbio da arte e cultura baiana. O apoio financeiro deve custear despesas com transporte de artistas, grupos artísticos, técnicos e estudiosos convidados a participar em eventos culturais, promovidos por instituições brasileiras ou estrangeiras, de reconhecido mérito. O total de recursos disponível para este Edital é de R$ 60 mil. As inscrições vão até dia 22 de julho e devem ser realizadas na Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, na Avenida Tancredo Neves, 776, sétimo andar. Os formulários de inscrição podem ser baixados no site da Secult (www.cultura.ba.gov.br) ou no site da Funceb (www.funceb.ba.gov.br).

Edital de Apoio a Editoras para Edição de Livros de Autores Baianos (R$150 mil)
O Edital vai selecionar 8 projetos de coleções de autores baianos apresentados por editoras do estado, que receberão R$18.750 cada, fomentando tanto a criação quanto a produção e difusão da produção literária baiana, além de fortalecer o setor editorial do estado. As inscrições vão até o dia 30 de julho e devem ser feitas pelos Correios, via SEDEX ou serviço similar de entrega, com Aviso de Recebimento (A.R.), através do seguinte endereço: Editais FCBA-FPC – Apoio a Publicação de Obras Literárias. Fundação Pedro Calmon/FPC - Praça Tomé de Souza - s/n - Palácio Rio Branco – Centro 40020-010. 1° andar, CEP 40020-010 – Salvador – BA. Informações: (71)3116-6653. Os formulários de inscrição podem ser baixados no site da Secult (www.cultura.ba.gov.br) ou no site da FPC (www.fpc.ba.gov.br).

Edital de Apoio à Edição de Livros de Poesia, Romance, Literatura Infanto-Juvenil e Contos (R$ 250 mil)
O Edital prevê o apoio a pelo menos 16 projetos de edição de originais inéditos, sendo quatro na categoria Poesia, no valor de até R$12,5 mil cada; quatro na categoria Romance, no valor de R$17,5 mil cada; quatro na categoria Contos, no valor de R$12,5 mil cada; e quatro na categoria Literatura Infanto-Juvenil, no valor de R$20 mil cada.

Edital de Apoio à Edição de Folhetos de Cordel (R$ 22 mil)
Este edital, que será lançado diretamente pela Fundação Pedro Calmon, vai selecionar projetos de edição de folhetos de cordel, na área de literatura, com o objetivo de valorizar as manifestações da cultura oral e popular no Estado. Serão contemplados oito projetos de edição de originais inéditos de literatura de cordel, sendo dois na categoria folheto de 8 páginas, no valor de até R$1,1 mil cada; dois na categoria folheto de 16 páginas, no valor de até R$2,2 mil cada; dois na categoria folheto de 24 páginas, no valor de até R$3,3 mil cada; e dois na categoria folheto de 32 páginas no valor de até R$4,4 mil cada.

Edital de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais de Longa-Metragem (R$ 1,2 milhão)
O edital vai disponibilizar R$ 1,2 milhão para a realização de um filme inédito de ficção de baixo orçamento, com duração mínima de 80 minutos. O objetivo é estimular a produção independente de audiovisual no Estado da Bahia.

Edital de Apoio à produção de Obras Audiovisuais de Curta-Metragem (R$200 mil)
O edital vai apoiar a realização de dois curtas-metragens, no valor de R$ 100 mil cada, nos gêneros ficção, documentário, experimental ou animação, com duração entre 10 e 25 minutos. O objetivo é estimular a produção independente de audiovisual no Estado da Bahia.

Edital de Apoio à produção de Conteúdo Inédito para TV Pública (R$250 mil)
Pioneiro na Bahia, o edital vai contemplar a produção de conteúdo para TV Pública, através de programas-piloto inéditos de 26 ou 52 minutos de duração. O valor do apoio é de, no máximo, R$ 50 mil e, no mínimo, R$ 12,5 mil. Depois de realizados, os programas serão exibidos na programação da TVE Bahia. O objetivo é estimular a produção independente de audiovisual no Estado da Bahia.

Edital de Apoio à Produção de Obras Audiovisuais - Documentários (R$2 milhões)
Alinhado à política do Governo do Estado de valorização da diversidade cultural baiana, o edital vai apoiar a realização de 26 vídeos documentários com 26 minutos de duração, sobre cada um dos Territórios de Identidade da Bahia. O concurso vai possibilitar a participação de produtores de todo o Estado, contribuindo para a formação de novos profissionais na área de audiovisual. As inscrições vão até o dia 30 de julho e devem ser feitas no IRDEB – Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia, na Rua Pedro Gama, 413/E, Federação ou através da CAIXA POSTAL nº 7012, CEP: 41810-971. Os formulários de inscrição podem ser baixados no site da Secult (www.cultura.ba.gov.br) ou no site do Irdeb (www.irdeb.ba.gov.br).

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ANÁLISE CRÍTICA

 

Transposição do Rio São Francisco: Qual a melhor solução?

 

No último dia 29, ocorreu na sala 4 da FaCom - Ufba o debate “Transposição do Rio São Francisco: Qual a melhor solução?”, quarto da série Debates de Quinta. A previsão do governo é de que após a conclusão, em 2025, a obra irá interferir na vida de 12 milhões de pessoas, incluindo habitantes de pequenas, médias e grandes cidades de toda a região semi-árida dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Para tanto, o Ministério da Integração Nacional, prevê a construção de dois canais revestidos de concreto, um no eixo leste com 220 quilômetros e outro no eixo norte com cerca de 400 quilômetros, mais duas pequenas centrais hidrelétricas. Serão instaladas algumas estações de bombeamento, e, além disso, túneis e reservatórios também levarão água para a região.

 

No entanto, as opiniões sobre o projeto são distintas. Grupos da sociedade civil o consideram dispendioso, acreditam que as medidas são megalomaníacas e servirão tão somente para o desvio de verbas públicas. Já o Governo Federal garante que as pequenas obras sugeridas como solução para o problema não resolvem a questão por completo.

 

Baseado na polêmica que durante muito tempo foi destaque na mídia e dentro da sociedade, o debate se propôs a discutir qual a melhor solução para o Rio São Francisco. Para dar embasamento técnico à discussão foram convidados o arquiteto José Augusto Saraiva Peixoto, atuante em planejamento urbano conservacionista e o geólogo Luiz Rogério Bastos Leal, pós-doutorando pela Universidade do Texas e diretor do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia.

 

No debate, o tema mais importante e polêmico foram os argumentos de defesa do governo pelo projeto. A questão é: existe fundamentação consistente em suas afirmações? De acordo com Saraiva, a obra foi formatada pelo governo FHC, e ainda nessa época o PT era contra, no entanto, depois que o partido tomou posse colocou-se a favor do projeto. “Ele interessa aos grandes empreiteiros”, ponderou o arquiteto. Verifica-se no discurso do arquiteto um desapego às questões econômicas, ele apenas se preocupa com as adaptações do homem e do ambiente em relação ao projeto. É possível comprovar na afirmação: “É preciso primeiro cuidar do ser humano, ou seja, das populações ribeirinhas, o rio possui grande dificuldade vital, os seus afluentes já não possuem matas ciliares, o que contribui diretamente para o assoreamento”.

 

Leal apontou o paradoxo do deputado federal Geddel Vieira Lima. Este posicionava-se contra a Transposição antes de tornar-se ministro da Integração. Aquele acredita que “as comunidades pobres se opõem ao projeto em virtude do assistencialismo do governo”, ou seja, o professor constata que as populações ribeirinhas preferem não se opor ao governo para não perderem certos benefícios como o Bolsa Família, por exemplo.

 

 

Após esse tema inicial, os convidados ponderaram em  relação ao que diz respeito aos verdadeiros beneficiados com a obra e o que haveria de positivo nela.  Saraiva afirma que a Transposição não vai levar água para ninguém: “Não necessariamente água”, o que significa que as águas desviadas após a transposição não serão utilizadas para “acabar com a seca”, diferente do que se afirma ao tentar promover o projeto. “O Rio não irá chegar ao povo desta maneira, talvez chegue em forma de produtos produzidos através da água dele, como frutas, hortaliças e etc. No entanto, a água, propriamente dita, não. Obras como esta são eleitoreiras”. Como fundador de um partido político, o Partido Verde, Saraiva consegue visualizar com uma maior clareza, as influências dos interesses políticos no projeto, principalmente no que condiz à repercussão popular provocada pela transposição e os possíveis problemas que serão gerados por conta do conflito de interesses partidários em torno da obra. Ele conclui ao acrescentar sua opinião afirmando que uma forma de evitar incoerências do tipo, seria entregar determinados cargos da política a técnicos devidamente habilitados: “Se a obra for viável, haverá continuidade dela, independente de os governos seguintes serem deste ou daquele partido”.

 

Já o geólogo Leal incorpora uma postura totalmente técnica e aparentemente parcial, ações típicas do ethos científico. Ele afirma que a revitalização está acontecendo em alguns locais, embora tardiamente. Além disso não se diz contrário a Transposição, mas acredita que deve haver uma revitalização. Também defende a exploração total da natureza desde que isso seja feito de maneira racional.

 

Outra temática inserida no debate foi a experiência soviética com o Mar de Aral. Sucessivas drenagens feitas pelo governo nas repúblicas da Ásia Central, a partir de 1920, fizeram que o fluxo dos rios no mar diminuisse consideravelmente. Este é considerado um dos maiores desastres ambientais e humanos da história, o Mar de Aral tem seu desaparecimento previsto para 2025. Aos convidados foi indagado se era possível fazer uma analogia ao exemplo, mais precisamente se havia possibilidade de estabelecer, pela mesma razões do exemplo anterior, igual  perspectiva de fracasso para o Projeto de Revitalização do São Francisco

Em seu comentário inicial, o professor Saraiva procurou assumir uma posição isenta ao colocar que intervenções desse caráter podem ser bem sucedidas ou não. De fato, mesmo para a Ciência é perigoso prever com exatidão as reações da natureza. A segunda declaração relevante para a análise do discurso diz respeito à explanação: “Caso a vida humana acabe, o planeta vai dar graças a Deus”. Nesta afirmativa do professor é possível constatar o seu engajamento pelas questões relativas à natureza e como ele julga o antropocentrismo prejudicial para a vida na Terra. Naturalmente um geólogo, doutor e pesquisador da área será defensor das causas naturais.

 

Já para o arquiteto Luiz a mesma questão é avaliada sobre outro ponto de vista. Segundo ele, há sempre uma dificuldade dos próprios cientistas em distinguir o que é intervenção humana e o que é processo natural. Ele considera ainda que  a ciência por vezes tem uma visão apocalíptica e cita como exemplo a mudança na atmosfera terrestre que provocou a extinção dos dinossauros e foi um processo inteiramente natural. Luiz acredita que os dois casos não podem ser comparados, militante das causas ambientalistas ele revela ser complicado comparação justamente porque nem sempre o homem é responsável por pela deterioração do meio natural.

 

 

O último tema abordado durante o debate foi a existência de um meio onde pudesse existir a confluência de interesses entre dois cenários distintos que se apresentam na Transposição do Rio São Francisco. O primeiro é o cenário do imediatismo, caracterizado pela ânsia de fazer chegar água, a todo custo, nas torneiras da população, pensamento muito comum na classe política, e o segundo é o cenário da ponderação, caracterizado por preocupações constantes, principalmente na classe técnica, com relação às limitações das fontes hídricas na condução do processo de transposição.

 

Segundo Saraiva essa obra vai servir para siderúrgicas. A refinaria Landulfo Alves já está incrustada na foz de um rio e é uma indústria extremamente poluente. “As comunidades que vivem no entorno sofrem há 50 anos com a poluição e nada é resolvido”, explana o ambientalista. Por ser atuante em planejamento urbano, Saraiva citou o exemplo da refinaria Landulfo Alves como forma de exemplificar o quão prejudicial pode ser a intervenção de interesses externos em uma obra como a que pretende ser implementada no São Francisco. Sua experiência como arquiteto lhe dá embasamento para poder afirmar que esta edificação foi um erro muito grave justamente por estar fincada na foz de um rio. Para ele, tal construção foi algo extremamente prejudicial para as comunidades locais. Já o seu ponto de vista enquanto ambientalista fica evidente em trechos como “quando se transpõe a água, se transpõe a vida também”. Para Saraiva, o país é República a mercê dos interesses internacionais. Dessa forma é impossível haver confluência de perspectivas, pois cada indivíduo visa as suas próprias.  “O interesse é a mola que move o mundo, podera Saraiva, Em pouco tempo se incia o período eleitoral, e o interesse na transposição do Rio São Francisco é tão somente de campanha. “Calendários políticos são baseados em eleição”, conclui.

 

De acordo com Leal, a transposição não vai atingir só a parte da população que necessita da água para subexistir, no entanto, para o Governo não é conveniente expor esse outro viés político pungente. Há “os interesses dos grupos internacionais” que encabeçam fortemente o projeto, mas isso não será veiculado. De acordo com o professor “o Ceará quer se desenvolver”, mas a Bahia lidera o ranking de produção no Nordeste por ter grande quantidade de água em suas terras, e os demais estados querem alcançar tal nível de produção e estimular a competitividade na região. Concluiu ao explicar que em verdade   um pacto federativo de interesses em torno de um bem comum, que seria justamente o desenvolvimento destes estados.

 

Por se tratar de um geólogo, Leal em quase todos os seus momentos de fala, deixou transparecer o lado técnico para embasar a sua opinião. No caso das afirmações acima, podemos perceber que ele fez questão de, durante o debate, demarcar a Bahia como o grande pólo de produção agrícola do Nordeste, destacando-a como estado mais rico em recursos da região. A experiência na área de Geociências, com ênfase em Hidrogeologia, e atuação em águas subterrâneas, hidrogeologia e monitoramento ambiental, lhe permitiram afirmar que o Ceará, e os demais estados que compõem o chamado “Eixo Norte” a ser beneficiado pela transposição, são os mais interessados na obra, pois visam o próprio  desenvolvimento,e, para isso, querem incentivar a instalação de indústrias em suas cidades. Para tanto, é preciso mais água, e, portanto, que seja efetivada a transposição.

 

Ao fim do debate nenhum dos dois convidados revelou-se  radicalmente contra a transposição. “Não sou contrário a transposição, mas deve haver revitalização”, afirma o geólogo. Por pertencerem a lugares de fala distintos, a argumentação e os discursos dos convidados eram, obviamente distintos. Cada um deles fundamentou a fala de acordo com aquilo que tinham conhecimento. Os convidados reconheceram a existência de interesses políticos por trás das obras, mas souberam pontuar os aspectos que iriam beneficiar a população. Os dois convidados concordaram que se trata de um projeto viável, porém com suas ressalvas. Apresentaram-se não totalmente contrários ao projeto, mas sim, em relação a maneira que será realizado. Comungam da mesma opinião de que se trata de uma obra muito dispendiosa, e de que não se trata da única solução para seca do Nordeste como, segundo eles, o governo tenta afirmar. Acreditam ser uma obra que visa e beneficiará quase que exclusivamente as grandes corporações, uma realidade distante dos 12 milhões de habitantes da região do semi-árido.

 Dessa maneira, a conclusão a que se chegou é que, para que a população seja beneficiada, antes é preciso atender aos anseios políticos, e não o inverso, como seria natural e ético.

 

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