debatesdequinta » desenvolvimento http://debatesdequinta.com a atualidade baiana em questão. Sat, 21 Jun 2008 03:03:50 +0000 http://wordpress.com/ pt-br hourly 1 http://www.gravatar.com/blavatar/d9e8a2cf5958f6e3b34ae48eba7b5e01?s=96&d=http://s.wordpress.com/i/buttonw-com.png debatesdequinta » desenvolvimento http://debatesdequinta.com Proposta de desenvolvimento http://debatesdequinta.com/2008/03/30/proposta-de-desenvolvimento/ http://debatesdequinta.com/2008/03/30/proposta-de-desenvolvimento/#comments Sun, 30 Mar 2008 23:17:30 +0000 Fernando Duarte http://debatesdequinta.com/2008/03/30/proposta-de-desenvolvimento/ ]]>

Fonte: A Tarde de 29/03/08 – Artigo de José Geraldo dos Reis Santos (Opinião)

 

O debate e a reflexão sobre os caminhos para um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social da Bahia precisam romper com a superficialidade de comparações do tipo “a Bahia cresceu mais que o Brasil” ou “a Bahia cresceu menos que o Brasil”. É necessário não apenas desejar um novo ciclo, mas, sobretudo, definir que tipo de movo ciclo interessa à Bahia.

O colunista deste jornal e ex-secretário do Planejamento do Estado Armando Avena vem alternando análises técnicas de aspectos conjunturais da nossa economia com posicionamentos de reafirmação da antiga estratégia de desenvolvimento do Estado. Em artigo publicado no dia 23 de fevereiro, o economista reconhece o fim de um ciclo da economia baiana, entretanto simplifica ao passar a idéia de que, para enfrentar os desafios do desenvolvimento do Estado, o problema maior seria a falta de uma expertise em capturar grandes empreendimentos.

Considero que seria sensato reconhecer as disfunções do modelo de desenvolvimento que ele ajudou a planejar. Entre elas, uma economia altamente concentrada, em que apenas cinco segmentos do industriais respondem por mais de 70% do setor, sendo a Região Metropolitana de Salvador, responsável por 64% do valor adicionado da indústria. Do ponto de vista social, os níveis de exclusão fizeram da Bahia o Estado com maior número (1,4 milhão) de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família. Outro aspecto foi a não priorização de investimentos em infra-estrutura e logística; inviabilizando uma maior integração territorial e possibilitando o surgimento de sentimentos separatistas, a exemplo do que vinha ocorrendo no Oeste do Estado.

Pensar o novo ciclo significa criar condições de superação da dinâmica “exógena e espasmódica” da nossa industrialização. O grau de dependência da indústria baiana em relação aos mercados nacional e internacional, o esgotamento das condições que davam suporte à política de guerra fiscal, o crescimento da dívida oriunda das isenções fiscais, cujo valor ultrapassa R$ 1,3 bilhão, evidenciam a complexidade da situação atual e os limites de uma estratégia focada, apenas, em grandes empreendimentos.

O novo ciclo, sem perder de vista a importância dos grandes negócios, tem como diretrizes uma maior desconcentração espacial e setorial da nossa economia, o enfrentamento dos problemas estruturais do semi-árido, a implementação de uma infra-estrutura e logística que funcionem como fator de atração de investimento e que garantam uma maior integração da economia baiana, um maior incremento de inovação tecnológica, o incentivo aos pequenos e médios negócios, o fortalecimento do agronegócio e da agricultura familiar, a melhoria na qualidade dos serviços e a potencialização das políticas de transferência de renda.

Sendo assim, considero que o atual governo está implantando uma estratégia de desenvolvimento que possibilita a constituição de uma nova densidade econômica e social.

 José Geraldo dos Reis Santos – Diretor-geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia SEI-Seplan

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